Brasil que envelhece: por que o cuidado com mulheres idosas precisa entrar no centro das políticas públicas?


 Introdução

O aumento da expectativa de vida é uma conquista importante da sociedade. No Brasil, cada vez mais pessoas estão vivendo por mais tempo, e grande parte desse grupo é formada por mulheres. Esse fenômeno traz novas perguntas sobre como cuidar, acolher e garantir qualidade de vida na velhice. Falar sobre o envelhecimento feminino é também discutir saúde, autonomia, redes de apoio e o papel da sociedade no cuidado com quem já cuidou de tantas pessoas ao longo da vida.

O crescimento da população idosa no país é um processo que vem acontecendo há décadas. Viver mais anos representa avanços sociais importantes, mas também exige planejamento para que os sistemas de saúde e assistência estejam preparados para essa realidade. Muitas vezes, o debate sobre o envelhecimento ainda aparece de forma secundária, quando na verdade ele envolve mudanças profundas nas estruturas familiares, nas políticas públicas e nas formas de convivência social.

Hoje, as famílias são menores do que em gerações passadas. Com menos filhos e novos formatos de organização familiar, muitos idosos acabam vivendo sozinhos ou com pouca rede de apoio. Essa mudança cria um desafio importante: o cuidado com a velhice já não pode depender exclusivamente da família. Torna-se cada vez mais necessário fortalecer serviços comunitários, assistência domiciliar, redes de cuidadores e espaços de convivência que apoiem essa fase da vida.

Dentro desse cenário, as mulheres ocupam um lugar central. Elas vivem, em média, mais anos do que os homens e, por isso, representam a maior parte da população idosa. Além disso, muitas chegam à velhice após uma vida marcada por trabalho doméstico, cuidado com filhos, parceiros e familiares. Esse histórico de dedicação pode trazer impactos físicos e emocionais ao longo do tempo, refletindo em dores crônicas, cansaço acumulado ou sentimentos de solidão.

Outro aspecto importante é que muitas mulheres idosas vivem sozinhas, especialmente após a perda de parceiros ou familiares. Essa realidade exige que o cuidado com a velhice seja pensado de forma mais ampla, com políticas públicas e serviços que garantam apoio, acompanhamento e segurança. Instituições de acolhimento, assistência domiciliar e modelos coletivos de convivência podem ser caminhos para fortalecer redes de cuidado e evitar o isolamento.

Também é fundamental ampliar a compreensão sobre formas de cuidado e qualidade de vida mesmo diante dos quadros típicos de adoecimento da terceira idade. Em muitas situações, o objetivo do cuidado não é apenas tratar doenças, mas oferecer dignidade, bem-estar e respeito às escolhas da pessoa idosa. Esse olhar mais humano para o envelhecimento ajuda a construir uma sociedade mais preparada para lidar com as transformações da longevidade.

Além das questões de saúde, o envelhecimento feminino também envolve desafios sociais importantes. Desigualdades econômicas, diferenças de acesso a serviços e experiências de vida marcadas por responsabilidades de cuidado podem influenciar diretamente a forma como as mulheres envelhecem. Por isso, pensar em políticas voltadas para a velhice também significa considerar gênero, renda e contexto social.

O aumento da longevidade no Brasil é, portanto, um fenômeno que pede novas formas de organização social. Garantir dignidade na velhice passa por fortalecer redes de apoio, ampliar serviços de saúde e valorizar a experiência de quem chegou a essa fase da vida. Envelhecer não deve significar invisibilidade, mas sim reconhecimento e respeito.


Como isso impacta mulheres e famílias?

Quando a população envelhece, toda a dinâmica familiar também se transforma. Filhas, netas e outras mulheres da família frequentemente assumem responsabilidades de cuidado, o que pode gerar sobrecarga física e emocional. Ao mesmo tempo, muitas idosas vivem sozinhas e precisam de apoio para manter autonomia e segurança. Quando existem políticas públicas, redes comunitárias e serviços de cuidado bem estruturados, esse processo se torna mais equilibrado e saudável para todos.


Quando buscar ajuda profissional?

Com o avanço da idade, é importante manter acompanhamento regular com profissionais de saúde para avaliar o bem-estar físico e emocional. Mudanças na mobilidade, dores persistentes, alterações de humor ou dificuldades nas atividades diárias merecem atenção. A orientação profissional pode ajudar a identificar necessidades de cuidado, promover mais autonomia e oferecer suporte adequado para uma vida mais confortável e segura.


Conclusão

O envelhecimento da população brasileira é uma realidade que precisa ser vista com responsabilidade e sensibilidade. Garantir dignidade, autonomia e cuidado às mulheres idosas significa reconhecer o valor de suas trajetórias e construir uma sociedade mais justa para todas as gerações. Preparar o presente para um futuro com mais longevidade é um compromisso coletivo.


Créditos

Este conteúdo foi produzido com base em informações publicadas por Carol Ito, jornalista e mestre em Ciência da Informação, no artigo sobre envelhecimento e cuidado no Brasil, para ler a matéria original: CLIQUE AQUI


*Imagem ilustrativa | Fonte: Freepik


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Alerta Importante às Gestantes: Óbito Fetal por Oropouche em Pernambuco


 O Ministério da Saúde confirmou, nesta sexta-feira (2), o primeiro caso de óbito fetal causado por transmissão vertical do vírus Oropouche em Pernambuco. A vítima foi uma gestante de 28 anos, na 30ª semana de gestação. A confirmação veio após a exclusão de outras hipóteses diagnósticas e resultados positivos em exames de RT-PCR e imunohistoquímico.

Atenção Redobrada para Gestantes e Recém-Nascidos

Para auxiliar estados e municípios, será enviada uma nota técnica com orientações detalhadas sobre a análise laboratorial, vigilância e assistência à saúde de gestantes e recém-nascidos com sintomas de Oropouche. O documento também incluirá informações sobre medidas de proteção individual para prevenir a doença.

Investigações em Curso

Atualmente, estão em investigação oito casos de transmissão vertical de Oropouche: quatro em Pernambuco, um na Bahia e três no Acre. Quatro desses casos resultaram em óbito fetal, e outros quatro apresentaram anomalias congênitas, como microcefalia. As análises estão sendo realizadas pelas secretarias estaduais de saúde e especialistas, com o acompanhamento do Ministério da Saúde, para determinar se há uma relação entre o vírus Oropouche e esses casos.

Aumento na Detecção de Casos

Desde o início do ano, houve um aumento na detecção de casos de Oropouche no Brasil, graças à estratégia do Ministério da Saúde de enviar testes diagnósticos para todos os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen) do país. Esses testes agora são utilizados em casos negativos para dengue, Zika e chikungunya. Antes, esses exames eram restritos aos estados da região Amazônica.

Recomendações de Prevenção

A nota técnica do Ministério da Saúde recomendará medidas para evitar ou reduzir a exposição às picadas de insetos, como o uso de roupas compridas, sapatos fechados e repelentes, especialmente nas primeiras horas da manhã e ao final da tarde. Medidas coletivas, como a limpeza de terrenos e locais de criação de animais, e o uso de telas em portas e janelas também serão reforçadas.

Sintomas e Ações Imediatas

Em caso de sintomas compatíveis com arboviroses, como: febre, dor de cabeça, dor muscular, tontura, calafrios, fotofobia, náuseas e vômitos, é crucial procurar atendimento médico imediatamente e informar ao profissional responsável pelo acompanhamento pré-natal.

Casos de Oropouche no Brasil

Até 28 de julho de 2024, foram registrados 7.286 casos de Oropouche em 21 estados brasileiros, com a maioria dos casos no Amazonas e Rondônia. Recentemente, foram confirmados os primeiros dois óbitos pela doença no país, em mulheres jovens da Bahia.

Pesquisas em Andamento

Para reforçar a vigilância e monitoramento do vírus, o Ministério da Saúde, em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco, realizou um seminário em Recife com a participação de especialistas e cientistas. Foram criados três grupos de pesquisa focados em: 

1. Informações laboratoriais sobre o vírus.

2. Manifestações clínicas dos pacientes.

3. Ciclo da doença nos insetos transmissores.

Esses estudos estão sendo conduzidos em parceria com a Fiocruz, Instituto Evandro Chagas e Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado do Amazonas.

Para mais informações sobre prevenção, sintomas, diagnóstico e tratamento da doença, acesse a página Saúde do Ministério da Saúde.


Fonte: Ministério da Saúde

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O Valor Inestimável do Leite Materno: Um Alerta Importante para Gestantes


 

O leite materno é um alimento único e insubstituível, adaptado perfeitamente às necessidades dos bebês nos primeiros anos de vida. Conhecido como o padrão ouro da alimentação infantil, o leite materno é incomparável, mesmo com os avanços da indústria em tentar modificar o leite de outros mamíferos, como o da vaca, para consumo infantil.

O Guia Alimentar do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde destaca a importância do leite materno no *Guia Alimentar Para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos*. Este alimento precioso, produzido naturalmente pelo corpo da mulher, é o primeiro contato dos pequenos com a comida de verdade. Além de nutrir, o leite materno é rico em anticorpos e outras substâncias que protegem a criança de várias doenças, como diarreias, infecções respiratórias e otites, além de reduzir as chances de desenvolver diabetes tipo 2 e obesidade no futuro

Benefícios da Amamentação

A amamentação não só promove o crescimento e desenvolvimento saudável da criança, como também fortalece o vínculo entre mãe e filho e auxilia na recuperação da mulher no pós-parto. Além disso, a prática pode reduzir o risco de a mãe desenvolver câncer de mama, ovário e útero, diabetes tipo 2 e hipertensão.

Desafios e Suporte Necessário

Embora a amamentação ofereça inúmeros benefícios, pode apresentar desafios para algumas mulheres e crianças. É crucial que as lactantes tenham uma rede de apoio composta por profissionais de saúde, familiares, empregadores e colegas de trabalho para sustentar e facilitar o processo de amamentação.

O Guia Alimentar Para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos lista nove desafios comuns da amamentação e oferece soluções práticas para cada um. O objetivo é ajudar as lactantes e suas redes de apoio a compreender e superar as dificuldades, promovendo confiança e sucesso na amamentação.

Principais Desafios da Amamentação e Como Superá-los

1. Demora na descida do leite: Pode ocorrer entre o terceiro e quinto dia pós-parto. Medidas como a estimulação frequente da mama podem ajudar.    

2. Criança com dificuldade para sugar: Suspender o uso de bicos artificiais, ajustar a pega e variar posições durante a amamentação são algumas soluções.

3. Mamilo plano ou invertido: Auxiliar o bebê a abocanhar a aréola e tentar diferentes posições pode facilitar a pega.

4. Mamilos doloridos ou machucados: Variar a posição das mamadas e cuidar da higiene dos mamilos são essenciais.

5. “Leite empedrado”: Massagens e amamentação frequente ajudam a aliviar o problema.

6. Mastite: Procurar assistência médica imediata é fundamental, mas a amamentação pode continuar durante o tratamento.

7. Bloqueio de ductos lactíferos: Amamentar com frequência e massagear a área afetada são recomendados.

8. “Pouco leite”: Criar um ambiente tranquilo para amamentar e assegurar uma boa rede de apoio são essenciais.

9. Hiperlactação: Evitar retirar leite das mamas antes das mamadas e amamentar em posições que diminuam o fluxo de leite.

Procurando Ajuda e Informação Confiável

Amamentar pode gerar insegurança e dificuldades, mas buscar ajuda profissional é crucial. Unidades Básicas de Saúde, Bancos de Leite Humano e outras instituições oferecem suporte especializado.

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Fonte: Ministério da Saúde

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J. Borges, o artista que gravou a alma do Nordeste.

 

Por Antônio Campos - Advogado e Escritor.

Um dos maiores encontros que viabilizei, em uma das edições da Fliporto, foi um encontro conjunto entre J. Borges, Eduardo Galeano e Ariano Suassuna, em 2009. Um encontro inesquecível.

Xilogravurista, poeta e cordelista pernambucano, morreu aos 88 anos, em Bezerros, em 26 de julho, onde nasceu e viveu toda sua vida. Se queres ser universal, conta bem a tua aldeia, como dizia o grande escritor russo Tolstói. E J. Borges descreveu em suas gravuras e cordéis o Nordeste brasileiro, ajudando a moldar uma identidade visual.

O grande escritor uruguaio Eduardo Galeano veio visitar J. Borges em Gravatá e ele ilustrou a sua obra As Palavras Andantes.

A sua amizade pessoal e artística com Ariano Suassuna foi grande. J. Borges inclusive homenageou Ariano dando o nome de um de seus filhos de Ariano.

O escritor português José Saramago teve o livro ‘’O Lagarto’’ ilustrado por J. Borges.

J. Borges foi um dos artistas que criou com sua arte a alma cultural nordestina. Artista já consagrado, em idade madura, nunca perdeu a sua originalidade e sua simplicidade.

A minha homenagem ao artista e ao amigo, com os votos de pesar a família de J. Borges, que irá perpetuar o seu legado. Com J. Borges, Bezerros foi ao mundo.

Olinda, 26 de julho de 2024.

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